A contabilidade criativa de Haddad: o truque fiscal do governo Lula
- Professor Claudio Branchieri

- 5 de fev. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 30 de jan.

O governo Lula anunciou com pompa e circunstância um desempenho fiscal melhor do que o esperado em 2024. Mas bastam alguns minutos de análise para desmontar essa pirotecnia e revelar a real situação das contas públicas. O que o ministro Fernando Haddad vende como um feito econômico nada mais é do que um jogo de números manipulados para parecer melhor do que realmente é. Vamos aos fatos. A receita do governo federal cresceu 8,9% acima da inflação, um número expressivo, e mesmo assim o governo registrou um déficit de R$ 43 bilhões. Se com esta arrecadação recorde há um rombo, a situação das contas públicas está longe de ser sustentável.
Além disso, o governo escondeu detalhes cruciais: em 2023, o Planalto antecipou R$ 47,1 bilhões em despesas de 2024; postergou R$ 14,6 bilhões em apropriação de Depósitos Judiciais de 2023 para 2024 e apropriou-se de R$ 8,5 bilhões em depósitos esquecidos. Ou seja, sem essas manobras, o déficit real de 2024 seria de R$ 113,2 bilhões! O governo simplesmente empurrou para 2023, quando não havia regra fiscal, grande parte do rombo de 2024.
Outro truque foi a redução artificial da dívida pública. Em dezembro, o governo teve uma emissão líquida negativa de R$ 200 bilhões, abatendo esse valor da dívida. Como? Usando o colchão de liquidez, uma espécie de “poupança” que permite ao governo honrar seus compromissos mesmo em situações adversas, como crises econômicas, aumento do risco-país ou dificuldades para captar recursos no mercado . Em vez de usá-la com responsabilidade, o governo preferiu queimá-la para esconder a verdadeira situação fiscal.
Em números: Bolsonaro deixou um colchão de R$ 1,2 trilhão. Em novembro de 2024, ele já havia caído para R$ 850 bilhões e deve fechar o ano em R$ 700 bilhões. Em dois anos, o governo Lula torrou R$ 500 bilhões dessa reserva! O problema? O mercado entende que se esse colchão ficar abaixo de R$ 1 trilhão compromete a segurança fiscal. Ou seja, o governo terá que emitir pelo menos R$ 300 bilhões em dívida nova, elevando ainda mais a dívida pública.
Sem esses truques, o governo não teria cumprido a meta do Arcabouço Fiscal. Se analisarmos o cenário real e sem contabilidade criativa: o governo não teria atingido a meta de resultado primário e o crescimento das despesas teria estourado o teto do arcabouço de 2,5%. Isso significa que a “responsabilidade fiscal” de Lula é pura ilusão. Os números são manipulados para enganar a população e acalmar temporariamente o mercado financeiro.
Mas a verdade é que o déficit real, a necessidade de mais emissão de dívida e o descontrole do gasto público mostram que a política econômica do governo Lula não tem responsabilidade alguma. O Tesouro queima reservas, posterga despesas e joga com números enquanto tenta convencer os brasileiros de que as contas estão equilibradas. E tem gente que ainda acredita nessa fantasia! O Brasil já viu esse filme antes e o final foi um mergulho no abismo.
(Artigo publicado no Jornal Correio do Povo, na edição de 05 de fevereiro de 2025.)





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