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O roubo dos aposentados e o teatro do governo

  • Foto do escritor: Professor Claudio Branchieri
    Professor Claudio Branchieri
  • 12 de mai. de 2025
  • 2 min de leitura
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Poucos crimes são tão covardes quanto roubar idosos. O novo escândalo, sob o comando mais uma vez de quem decidiu “voltar à cena do crime”, pode não superar o Petrolão em cifras, mas moralmente o ultrapassa com folga. Bilhões foram desviados por meio de um conluio entre sindicatos, órgãos públicos e políticos e, como resposta, o que se vê é encenação: Carlos Lupi cai, mas cede lugar a Wolney Queiroz, o deputado que ajudou a adiar a fiscalização do esquema. Trocam-se os nomes, mantêm-se os interesses.


A cronologia é clara. Desde 1994, entidades como a Contag recebem descontos direto das aposentadorias. Em janeiro de 2019, no primeiro mês de governo, Jair Bolsonaro editou a MP 871, exigindo autorização dos aposentados para os descontos e renovação anual da documentação tentativa real de moralizar o sistema. Mas o Congresso, dominado por interesses sindicais, adiou duas vezes a fiscalização sendo Wolney Queiroz um dos responsáveis por assinar a emenda adiando o controle de descontos no INSS.


Sob Lupi, o INSS flexibilizou ainda mais as regras, aceitando listas enviadas pelas entidades sem biometria, sem autorização dos beneficiários. O rombo saltou de R$ 700 milhões para R$ 3 bilhões. Em junho de 2024, o ministro do Tribunal de Contas da União, Haroldo Cedraz, indicado por Lula em 2007, autorizou que a revalidação desses descontos fosse feita sem biometria ou assinatura eletrônica decisão contrária à área técnica do TCU, que abriu espaço para autorizações frágeis e suscetíveis a fraude.


O governo e a PF tentam empurrar a culpa para 2019, mas dados da CGU mostram que o esquema já era investigado desde 2016 e já desviou mais de R$ 8 bilhões. Em vez de punir os culpados, Lula blindou aliados e nomeou suspeitos. A esquerda que diz defender os pobres permitiu que sindicatos enriquecessem à custa dos mais vulneráveis. Esse roubo não foi um desvio isolado. Trata-se de uma estrutura de poder e corrupção. Justiça seletiva, aparelhamento e impunidade. Se isso é o que chamam de cuidar dos mais pobres, o que seria abandoná-los?


(Artigo publicado no Jornal Correio do Povo, na edição de 12 de maio de 2025.)

 
 
 

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